sábado, 25 de fevereiro de 2012

um pedaço que existe em mim , sem ser narciso, é algo que transborda no gostar, nao destroí

    • Do mar eu trouxe pedras que a maré deixou na areia e guardo-as para me lembrar das ondas em que o Amor me navegou.
      Desse mar sem fundo perdi a praia, a caravela partiu e não voltou. Longe é terra á vista quando perto só as águas das ondas me encontram e só as pedras que guardo me lembram de chão para me voltar a mim.
      Ao mar azul, onde o vento do norte era o Amor sem fim, chegou a noite demasiado cedo e pedras negras naufragaram um barco de luz.
      Trago no peito uma bússola como bóia, não perdi o rumo, sei onde estou. O meu mar tem a mesma transparência e a caravela nunca afundou.
      As velas de velhas rasgaram-se, mas os remos ficaram e eu sei onde estou. Navego o tempo com o Amor que me ficou.
      Só o Amor e o desejo valem a pena, o resto é uma deriva, um sem destino, uma espera desorientada.
      Mas o Amor é caprichoso e abraça toda a gente da mesma maneira. Por vezes passa por nós de mansinho e quase nos toca mas, livre, segue em frente, outras vezes pega-nos pela mão e leva-nos consigo por duas ou três ruas apenas, para nos largar á esquina, sem olhar para trás, desapegado e vago. Mas o Amor que vale a pena é aquele que acontece contra nós como um choque frontal, aquele em que nos deixa imobilizados com tudo machucado e uma só certeza acrescentada:
      que estamos vivos por dentro porque o coração nos dói pela força do gostar.
      Ao desastre que chamo Amor muito poucos sobrevivem por muito que jurem o que sentem.
      Porque este Amor escolhe os corações, um a um, em que ficar, porque este Amor escolhe quem, em intensidade, o acolhe incondicionalmente.
      É, é disparate acreditar que ele acontece a todos da mesma maneira. São raros os que têm a força de amar para sempre e que sabem não ser amados da mesma forma. Por debaixo da pedra arrumam-se coisas que o tempo não apaga porque o coração não desiste da força que lhe deu vida. Por debaixo da terra, o tempo não existe e o coração bate fora de tempo e sem razão.
      Por dentro a memória não se esgota, tudo lembra e nada esqueço.
      Por dentro as lembranças são rios vivos que correm em circuito fechado. Tudo o que tempo não leva para longe com a força de vento forte, para sempre será meu com a força de vida eterna que lhe empresto.
      Tudo o que perdoo não esqueço.
      O coração é maior do que peito e a memória maior do que tempo que é infinito. Por debaixo da pedra arrumo o que está a mais por não estar aqui simplesmente. O que não me é, sobra-me como parte inútil dos meus dias. Por debaixo da pedra arrumo o que tenho apenas na memória e na memória tenho a vida inteira que ontem existiu.
      Sabe pouco ou quase nada a felicidade que nos chega sem ser anunciada. Porque sonhamos mais ou porque esperamos outra coisa, a felicidade que nos vem não chega a ser abraçada com braços de força e alma cheia.
      Tolos por não darmos conta da ilha e do tesouro que nos encontrou. Cegos porque encadeados pelo sol radioso ignoramos as tempestades que o céu abriga como parte de um todo. E sabe a pouco o abraço inebriante de quem encontra o seu momento na vida. Saberia a mais se, modestos, navegássemos sem outras ambições esse mar de tempo precioso que nos embrulha num abraço de veludo como se acabados de nascer. Soubéssemos nós que a vida nos perde sem retorno e moraríamos rente ao mar para lançar âncoras em redor da ilha do tesouro que nos desembarcou de um mar sem luz e desabrigado.
      Soubéssemos nos avaliar o Amor como tesouro e seríamos felizes para toda a eternidade.
      Somos muita coisa ao mesmo tempo, nem sempre cheios de verdade nem sempre inventados dos pés á cabeça. Somos, muitas vezes, em função dos outros e do que esperam de nós e mentimos muito mais do que é razoável. Somos o que achamos conveniente e aceitável porque queremos agradar dentro do modelo em que nos inventaram como desejáveis. Mentimos, mentimo-nos e morremos em cada pormenor inventado. Sofremos porque nos perdemos aos poucos, porque nos dói saber que falhamos, porque o auto-desencantamento nos sangra como agulhas espetadas na alma. E podemos convencer-nos que a culpa é do mundo além, fora de nós mas, no fundo, sabemos que a culpa não é dos outros simplesmente nem pode ser de tanta gente ao mesmo tempo. A culpa é nossa porque somos pouco ou quase nada quando tudo o que somos é o que esperam de nós. Achamos que somos crescidos por sermos obedientes quando ser adulto é ser inteiro por dentro ainda que deslocado do resto do mundo.
      Felizes aqueles cuja rebeldia os desassossega e que assumem a matéria compulsiva dos sentidos como essência indomável. O que nos é especial não tem fim e nada se lhe compara porque o que é especial torna-se a medida de todas as coisas. O que nos toca tão profundamente a alma não se esvai, fica-nos para sempre debaixo da pele e não se pode despir o que nos corre como sangue e essência do que somos.
      Vivemos muitas coisas de muitas maneiras e em diferentes dimensões, mas poucas são aquelas que nos moldam o sentir na dimensão do inexplicável e essas poucas não se repetem porque são únicas, e sendo únicas tudo o resto nos parece pobre por comparação. Podemos acreditar que o Amor acontece muitas vezes, mas o Amor verdadeiro é coisa rara e, às vezes, não chega uma vida para acontecer. A intensidade única de quem o experimentou é a medida do que vem depois e do que existiu antes dele, numa escala injusta mas incontornável. Porque tudo se resume ao Amor e a essa nobre capacidade de sentir o outro como vida em nós. Nada é mais especial do que o absoluto da entrega que o Amor pressupõe desinteressadamente. Podemos acreditar em muitas coisas mas nada mais existe para além do Amor.
      Por debaixo da pedra arrumam-se coisas que o tempo não apaga porque o coração não desiste da força que lhe deu vida. Por debaixo da terra, o tempo não existe e o coração bate fora de tempo e sem razão. Por dentro a memória não se esgota, tudo lembra e nada esqueço. Por dentro as lembranças são rios vivos que correm em circuito fechado. Tudo o que tempo não leva para longe com a força de vento forte, para sempre será meu com a força de vida eterna que lhe empresto.
      Tudo o que perdoo não esqueço. O coração é maior do que peito e a memória maior do que tempo que é infinito.
      Por debaixo da pedra arrumo o que está a mais por não estar aqui simplesmente.
      O que não me é sobra-me como parte inútil dos meus dias.
      Por debaixo da pedra arrumo o que tenho apenas na memória e na memória tenho a vida inteira que ontem existiu.
      E vai existir sempre toda vez que fecho os olhos e me lembro de você.

  • Ont
    • Ainda eras menina e já te ensinavam de amor.
      Uma das primeiras coisas que nos ensaiam para falar. E repetimos, quando palavras ainda não fazem sentido.
      Eras sonhadora quando te sentavam à beira da cama para contar sobre a princesa na torre do castelo, o príncipe no cavalo branco e o poder do beijo de amor verdadeiro. Tudo parecia ter cheiro de rosas e toque de cetim. O mundo parecia ser de sorrisos, porque era certo que tudo estaria bem. E o final feliz estava logo atrás do arco-íris.
      Mas mentiram. Mentiram em quase todas as vezes que te falaram de amor. Queriam pele nua, defesas baixas, alegria momentânea. Vai passar – pensavas – deve ser apenas o feitiço da bruxa. Mas a magia parece eterna. E nada mais parece ser bonito. O mundo é todo branco e preto. E cinza, o teu coração, muitas vezes, partido.
      Eu não notei os teus pés na areia e não ouvi sinos quando os teus lábios imaginavam tocar os meus. Eu não pensei que seríamos felizes para sempre e não desejei que você me amasse, nem para a fada madrinha, nem para a estrela cadente.
      Eu não pensei em poesia quando vi o teu corpo nu, ou pedacinho dele,ou quando minha língua veio descrevê-lo aos meus poros. Não te hipnotizaste aos meus gemidos; não morri em tuas mãos. Não houve um primeiro segundo de certezas. Nada foi mágico.Mas tudo foi feitiço.
      Mas não venha me dizer que não há amor. Aqui, cabe tudo. Cabe a promessa de apenas sorrir meus olhos quando encontrar os teus. Desenhar teu rosto, contigo ao meu lado, só para matar uma saudade prematura. Assobiar os delírios do teu corpo. Respirar silêncios do teu lado. Nadar suas necessidades. Ser sua fonte e saciar seu desejo. Sorrir tuas palavras.
      Ouvir teu coração acelerado.
      Nunca me falaram sobre isso, nas histórias de amor e nos contos de fada; eles não sabem que o que é bonito se constrói?
      O mundo é lindo, sem castelo, princesa ou bruxa; Sem choro, maldição ou final feliz.
      Esse meu mundo de nós dois e nada além...........
      Pode não ter nada disso...mas pode ter muito mais!!!!!


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